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domingo, 8 de maio de 2011

"(...) a relação entre espaço e tempo, tal como a percebemos ao viajar, tem (...) algo de ilusionista e ilusório, razão pela qual sempre que voltamos de viagem nunca sabemos com certeza se de fato estivemos fora." (W. G. Sebald, "Austerlitz", tradução de José Marcos Macedo, Companhia das Letras, 2008, p. 16)

"Mesmo em uma metrópole regida pelo tempo (...) é possível (...) estar fora do tempo (...)" (id., ibid., p. 103)

"(...) eu costumava sonhar com uma terra sem nome nem fronteiras, totalmente coberta de florestas escuras, que eu tinha de atravessar sem saber para onde." (id., ibid., p. 219-220)

terça-feira, 19 de abril de 2011

"Um número notavelmente elevado de nossas povoações está voltado para o oeste e, onde as circunstâncias permitem, deslocam-se nessa mesma direção. O leste equivale a ausência de perspectiva. Sobretudo na época da colonização do continente americano, era de notar como as cidades se desdobravam para o oeste enquanto seus próprios distritos orientais se reduziam a ruínas. No Brasil, até hoje províncias inteiras se extinguem como fogo quando a terra se esgota por excesso de cultivo e novas áreas a oeste são abertas. (...) nesse eixo se polarizam infalivelmente bem-estar e miséria."

W. G. Sebald, in: "Os anéis de Saturno - Uma peregrinação inglesa", tradução de José Marcos Macedo. Companhia das Letras, p. 161