poema-colagem, Wladimir Cazé, 2013,
a partir de arte de Pedro Drummond para editora Record, 1996
a partir de arte de Pedro Drummond para editora Record, 1996
livros e viagens; leituras e lugares
"A partir daquele ponto pude entender o real sentido da expressão fim de mundo. Atravessar aquela fronteira entre o mundo real e aquela zona do crepúsculo era entrar em uma região apocalíptica onde as pessoas tinham sido substituídas por sombras. Tudo pelo caminho permanecia abandonado e quieto. A floresta invadia o asfalto e tornava-se cada vez mais difícil andar em alta velocidade. À beira da estrada, os vilarejos em ruínas, as choupanas sem teto serviam de viveiro para espécies vegetais. Dava dó ver casas com portas abertas e quintais vazios, barcos semi-submersos na água ferruginosa do lago ou enormes construções e complexos industriais largados ao acaso, espaços em branco na vida de alguém que passou muito tempo a construí-los." (ps. 195)
Em “Ocidente”, de Nilson Galvão, temos poesia praticada com afinco, cavada no cotidiano e cultivada em versos que acolhem fricções permanentes entre ideias, sensações e a voz que as escreve. São poemas sem divisões estróficas, como se, com essa opção, o poeta buscasse intensificar o efeito de suas associações bruscas de imagens, por meio de uma ligação icônica entre elas (procedimento já anunciado no texto de abertura, “Buñuel”, p. 3). Com uma espécie de gestualismo estilístico, que enfeixa fluência coloquial e leve experimentalismo, o poeta trafega entre episódios domésticos e referências cinematográficas e literárias (Cortázar; os personagens clássicos Bartleby, Quixote e Ulisses; Pessoa – que inspira “À beira do Tejo”, p. 12). Transparece ao longo da leitura uma concepção de poesia como evento que provoca um “furo no cotidiano” (p. 36), como em “Acidente doméstico” (p. 9) e “Milagres” (p. 38), dois dos melhores textos do pequeno volume em forma de envelope da coleção Cartas Bahianas. Alguns desses (e vários outros) textos de Galvão podem ser lidos no blog Blag.
"Nós percorremos enormes distâncias para contemplar as ruínas de antigas civilizações, mas onde estão as ruínas contemporâneas? Onde estão sendo criadas as ruínas no mundo de hoje? Onde ficam as antigas grandes cidades que agora estão sendo gradualmente abandonadas em uma lenta decadência, deixando sinais do que as futuras gerações irão escavar e encontrar daqui a mil anos?" (ps. 34-35)
"Quando nós saímos de nosso interior (...), de cultura oral, nós saímos de um mundo pré-gutemberguiano. E chegamos aqui, (...) e encontramos um mundo que começava a ser pós-gutemberguiano, onde já se podia prescindir do alfabeto por causa do mundo da telemática, da televisão, do cartaz, de outras linguagens que não era a linguagem escrita. Então nós (...) demos um salto na história de 600 anos e viemos cair nesse mundo." (p. 55)
Hoje (quinta, 30 de maio) à noite (19h), apresentarei "Macromundo" em Florianópolis (Santa Catarina), no Hall do Centro Integrado de Cultura (CIC).
Quem comparecer vai ganhar o cordel "A filha do imperador que foi morta em Petrolina".
E quem comprar "Macromundo" (R$ 20,00) vai levar de quebra o cordel "ABC do Carnaval".
Nesta quinta-feira, 8 de março, às 18h, acontece um sarau literário, com entrada gratuita, promovido pelo grupo Cronópio, no prédio Cemuni I, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Esta é a lista dos livros que li (ou reli) no 2º semestre de 2011. A contagem, a partir do número 30, dá seguimento ao registro das leituras do 1º semestre (que chegou a 29 livros). Pelos meus cálculos, foram 5.286 páginas



Tenho a satisfação de participar da "BABEL Poética nº 3" com 2 textos (p. 35) do livro "Macromundo", os poemas "Dois urubus" e "Alimária". (É curioso agora abordar esses textos a partir do enquadramento proposto pela revista; eu nunca tinha pensado neles sob tal perspectiva.)
Lista completa de participantes:

"Macromundo" é um dos livros brasileiros que a poeta Ana Rüsche levou para Maputo, Moçambique, durante sua viagem de cinco dias, neste início de agosto, para participar de atividades promovidas pelo Movimento Literário Kuphaluxa: uma oficina, sarau, palestra e o debate "Perspectivas e desafios da literatura contemporânea – Brasil e Moçambique", na Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).
ONDE ENCONTRAR:
Midialouca (R$ 3,00)